quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O primeiro dia de aula.


Como eu disse, sempre faz sol quando você volta às aulas.




O primeiro dia de aula é sempre um momento tenso na vida de uma pessoa. Lógico que já faz um tempo que eu passei da escolinha, então, não rolou gritar e chorar pela mamãe, mas, ainda assim, confesso que em alguns momentos deu vontade de dar meia volta e fingir que nada disso era comigo.

Me inscrevi em poucas matérias, porque, pra ser honesta, além de ter um projeto próprio que eu quero desenvolver, eu não estava lá muito segura nas minhas bases de que iria aguentar a pressão da faculdade daqui. E vou dizer que não poderia estar mais aliviada com essa decisão.

As aulas que eu peguei foram todas em anfiteatros, um deles no sub-solo. Desci escadas lotadas de estudantes tranquilamente esparramados com seus livros e Ipods, às vezes, conversando baixinho uns com os outros. Encontrei uma parede pra chamar de minha, encostei lá e fiquei, suando frio, esperando que desse o momento de entrar no amphi, desesperada porque já tinha terminado o meu livro (e havia esquecido ele em casa... junto com meus fones de ouvido).

Estava tão nervosa que, ao entrar na classe, uma cena insólita se desenrolou como se nem fosse comigo. Sabe, aquela sensação que você tem às vezes, quando está tão nervoso que parece assistir como num filme seu corpo trabalhar no piloto automático? Foi assim.

O senhor se aproximou de mim e, num francês rápido que nem metralhadora, me perguntou: "Moça, que curso é esse que vai começar agora mesmo?". Pois é, o cara não sabia em que aula ele tinha entrado.

O pior? Eu respondi que eu tinha esquecido que aula era aquela. Porque, REALMENTE, nem que minha vida dependesse disso eu conseguiria lembrar o nome da matéria pra qual eu tinha me inscrito.

Eu sentei na cadeira, mais ou menos no meio da classe, lívida. O senhor riu, falou com outra pessoa, virou para e mim e, com uma piscadela disse: "É o curso de Sistema Internacional de 1815 aos nossos dias". E eu, a parva, que estudou dois anos e meio de francês, do alto de todo o meu conhecimento e articulação, consegui responder: "AH, É."

Entra o professor, um homem de seus cinquenta anos, simpático, mas que parecia estar tentando falar ao mesmo tempo que degladiava-se com uma batata quente na boca. Respirei fundo, usei minhas técnicas supremas para ignorar os babacas conversando atrás de mim ( eu sabia que os anos ignorando as chatices do irmão mais novo serviriam para ALGUMA coisa!), me concentrei e o mundo começou a fazer sentido.

Daí eu percebi o quanto estava ferrada: o curso é aberto não só para a unidade de História... não, ele era aberto pra Direito, RI e Economia também. E, embora esteja marcado como matéria para Graduação, na verdade, metade da sala estava já no Master.

Recebi as 5 páginas de bibliografia (sendo que duas delas eram, segundo ele, 'essenciais') e comecei a espiar o que a menina do lado furiosamente anotava: eram os horários dedicados ao estudo daquela matéria, algo como uma hora e meia por dia.

Grupos de estudo foram sendo formados, sem que eu nem percebesse ou tivesse a chance de me entrosar. Foi batendo aquele desespero, até que o professor falou: "Eu também gostaria de dar boas-vindas aos alunos que estão em mobilidade internacional. Falem com os professores assistentes que veremos como podemos trabalhar em seus casos específicos." E, então, ele começou a aula e eu fui começando, a, finalmente, relaxar. De repente, ele estava falando minha língua: história, século XIX, Congresso de Vienna e os muitos porquês.

Deu pra, quase, me sentir em meio a FFLCH - vou dizer que o fato de estar numa sala lotada sem ar-condicionado num dia quente ajudou muito nessa ambientação familiar. A diferença, no caso, é que aqui os franceses, por algum motivo, não parecem sentir calor, porque, veja bem, o ar condicionado estava só desligado - e ele olhava pro meu suor, como se risse da minha cara.

Um dia de cada vez, a gente sobrevive, estudando, como sempre, um monte. Segui o exemplo da minha colega de sala e montei eu também, minha lista de horários dedicados aos estudos. Acabou a moleza.

Amanhã saem as listas dos grupos de TD (trabalhos dirigidos pelos professores assistentes). E vamos tocando em frente. O que importa é que eu sobrevivi ao primeiro dia. Os outros, a gente pensa quando eles chegarem.

Um comentário:

Peach disse...

Oi Raissa, que bom saber de você querida, te procurei no face mas vc não está mais lá.
Bom começo de aulas pra vc e boa sorte.Estou torcendo por vc viu :)
ah eu estou escrevendo para um blog sobre series, se um dia puder ler http://www.kinderiaelfica.blogspot.com/ficaria muito feliz <3

beijos da Vivi