Tem alguns momentos em que me sinto transportada no tempo, pra uma época distante. Não à lá Meia Noite em Paris, não, infelizmente. Nunca encontrei nenhum dos grandes escritores que gostaria de ter conhecido (e Hemingway que me perdoe, eu gostaria mesmo era de ter sido amiguinha do Julio Verne).
Mas às vezes, eu penso nas pessoas que conheci na minha vida e nas raridades que tenho encontrado por aqui. Uma das coisas que mudou radicalmente, por exemplo, foi a quantidade de gente que eu conhecia no Brasil que curtia jazz e as pessoas que conheci aqui. Não quero dizer necessariamente que todos os franceses curtem jazz, mas veja bem, o número de brasileiros amantes desse estilo só fui encontrar aqui.
Parece que Paris atrai certos tipos.
Tenho a impressão de que não é bem a cidade, mas sou eu quem carrego esse espírito de época dentro de mim. Talvez tenham sido os filmes e os livros que li. Sabe aquela história de que quando a gente aprende uma palavra nova, de repente, começamos a vê-la em todos os lugares?
Eu nunca havia me interessado muito pela década de 1920. Mas parece que tudo ultimamente me remete à ela. As séries que tenho assistido - Boardwalk Empire é extremamente recomendável e vem com o selo HBO e Raíssa de aprovação! - os filmes (Adele Blanc Sec!) ou os livros (Por quem dobram os sinos. Inherit Vice. E coisas do gênero.). Até as viagens.
Tive a oportunidade de dar uma escapadela de Paris esses dias, antes de ficar doente. Fui sem destino, num carro com o meu namorado e o pai dele. Acabamos indo parar em Trouville e Deauville, duas cidades na Normandia separadas por uma ponte, onde a classe alta vai passar suas férias na praia em grande estilo.
Nem deu meia noite, entramos num cassino construído em 1912, com toda aquela pompa e circunstância que deve ter um cassino. Nunca tinha entrado em um, e aquele teve um feeling meio jogatina, meio máfia, meio proibido. Foi extremamente divertido conhecer o lugar, embora eu não tenha jogado mesmo.
E serviu para contribuir com essa idéia meio louca de que 1920 está me perseguindo. Para mim, essa década, que sempre teve gosto de perdida, acaba me saindo um pouco como os tempos modernos. Uma mistura de sentimentos, sabe? Algo como "O pior já passou, estamos vivos, e isso aqui é Paris, afinal! E Paris... Paris é uma festa." Mais um motivo para sorrir. =)
Eu gosto cada vez mais dessa década, ela ganha cada vez mais tons vibrantes. Só não consigo esquecer que quando mais a gente acha que deixou o pior para trás, mais perto ficamos da Segunda Guerra Mundial.
E essa é uma comparação que eu nunca quis fazer em Paris.
Um comentário:
Cassino!
Bom demais ver os posts de volta =)
Saudades mil, Raissinha. Cada detalhe que você conta, cada sensação relatada eu vejo na forma de um "Raissinha - O Filme" na minha cabeça, hahaha
Um beijão. Continue a postar. Kikafish loves you and your posts =D
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