quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Felicidade é estar em Paris no Século XX.


Essa é a foto de um momento de felicidade em que não posso comparar. Não sei se vocês tem algum autor favorito, alguma coisa que sempre quiseram ter, mas que demoraram anos para alcançar.

Pra mim, desde meus quinze anos, quando comecei a me interessar por História e história alternativa, por ficção científica, steampunk, e tudo que há de ucrônico, anacrônico, distópico, utópico e fantástico, eu fiquei apaixonada pelo mestre Julio Verne. Devorei Vinte Mil Léguas Submarinas, A Volta ao Mundo em 80 Dias e Viagem ao Centro da Terra, livros que já havia lido na tenra infância e que sempre tinham me cativado.

A figura do escritor já me havia sido apresentada em alguns préfacios e sua história de vida (desde o encontro com Alexandre Dumas - outro figurão que eu adorava! - até o trágico tiro na perna, bem como sua reclusão no fim da vida) sempre tinham sido, pra mim, tão interessantes quanto sua carreira literária extensa e maravilhosa.

Pois bem, de todos os livros do Verne, nenhum me fascinou tanto quanto este: "Paris no Século XX". Não só por se tratar de uma história de Paris, mas por ter sido escrita em 1863 e fazer uma previsão audaciosa do que seria a cidade um século depois. Para um historiador é um prato cheio e eu me pergunto porque cacete ninguém nunca fez uma análise extensa sobre esse livro, publicado tão tardiamente, apesar de ter sido um de seus primeiros trabalhos.

Ele foi recusado, acusado de ser falso, apenas porque mostrava uma faceta da ideologia do progresso que só seria verdadeiramente explorada pós virada do século XX e, mais, pós primeira guerra mundial. Uma distopia cheia de previsões fascinantes de aparelhos (como o metrô), mas mais do que isso, uma previsão da desvalorização da arte em favor da tecnologia, do avanço, da mecanização da sociedade.

Eu nunca consegui encontrar esse livro pra vender, nem tampouco achá-lo em bibliotecas. Acho que hoje eu sei o porquê: ele estava me esperando, aqui. Um exemplar novinho, embalado, estava perdido ao acaso numa banca de livros antigos à beira do Sena: "Paris au XXe Siècle", edição de 1994, ao preço inimaginável de 113 francos, ou melhor, de 7 euros. QUE EU NÃO TINHA NAQUELE INSTANTE.

O desespero de juntar todas as moedas e descobrir que você tem a soma exata de 5, 77 euros foi de um toque dramático a mais numa busca já conturbada e que durava cinco anos. Pedi para o livreiro (que olhava com um sorriso meio de quem tira sarro da minha cara!) guardar o livro pra mim e, literalmente, CORRI até um caixa automático.

Só posterguei a leitura tempo suficiente para vir até aqui e compartilhar a novidade com vocês. Tirei até uma foto, para registrar esse momento.

Sabe, não sou muito de acreditar em destino, mas tem horas que ele realmente parece existir mesmo.



Um comentário:

Cristina Van Opstal disse...

Parabéns pelo "blog", está adorável de ler... Sabe que depois vc pode editar um livro contando suas experiências em Paris...
Adorei todos os textos, especialmente o de ser perder em Paris e o do livro do Júlio Verne... Quem ama ler entende bem isso... ; )
Seja cada dia mais feliz por aí, viu?
Beijos.