Num momento de profunda filosofia (um pouco macarrônica, já que nosso francês não está, assim, tão bem desenvolvido), eu e algumas colegas de curso da Alliance Française Paris tivemos uma pequena discussão sobre aprender uma língua estrangeira.
Porque não é só aprender uma língua estrangeira. Como disse a professora, nem dos próprios franceses é cobrado o nível que se exige dos estudantes vindos de outro país - e, como resultado, tem gente que fala francês melhor do que um nativo, isso sem nunca ter pisado na terra da Torre Eiffel.
Essa discussão me remeteu à uma outra, mais antiga, tida em sala de aula, quando cursei História da África, e quando foi ensinado o colonialismo francês. Uma das diferenças cruciais do colonialismo francês é que, ao contrário do inglês, os cidadãos dos países conquistados podiam, um dia, aspirar a serem cidadãos franceses. Para isso, era necessário que a figura aprendesse como colocar a mesa à francesa, falar, perfeitamente, o francês, ler e escrever, perfeitamente, em francês e acredito que alguns outros critérios eram aplicados, também.
No fim, me perguntava se o francês médio sabia fazer todas as coisas que eram exigidas de um colonizado com aspirações de afrancesar-se. Acredito que, obviamente em menor escala, é o que se faz com os estrangeiros. É mais do que um aprendizado linguístico, é a infusão de um modo de vida, cultural, social, é ir além desse pensamento simplista de vovô viu a uva.
Enfim, tudo isso foi discutido com vêemencia em ao menos quatro línguas diferentes acompanhados de várias demi e com muita risada numa tentativa, um tanto quanto falha, mas ao mesmo tempo, bem sucedida, de intercambiar-se culturalmente... com o mundo.
Parece até coisa de piada. Dois brasileiros, um italiano, uma mexicana, um espanhol, um indiano e uma alemã entram num bar...
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