quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Bibliotecas de Paris.

Não é por nada, não, gente, mas eu estou tendo um ataque ao ver as bibliotecas dessa cidade. Pra mim, nada mede tanto um indicador civilizatório quanto o número de bibliotecas e, mais do que isso, a quantidade de gente que as acessa.

A minha vontade inicial era de falar que as bibliotecas de Paris estão a anos-luz de distância das bibliotecas paulistas. É muita sacanagem falar isso, embora seja verdade. Ultimamente temos tido um pouco de valorização das bibliotecas de São Paulo, em comparação com o passado não tão distante. Mas, veja bem, 0,1 é maior que 0, mas não tem comparação com o apreço que os parisienses tem pelo seu sistema de bibliotecas.

Primeiro que está tudo interligado. Uma carteirinha só, um sistema único pra um mol de bibliotecas disponíveis. Você só precisa de uma identidade. É de graça. Você não precisa ter medo de retirar um livro. Eles estão lá pra ISSO, não é um templo sagrado no qual você nunca deve pisar, a menos que tenha um excelente motivo pra isso (no geral, uma pesquisa ratificada por uma universidade pública).


E a coisa é extremamente bem divulgada, sabe? E super utilizada, as pessoas ficam simplesmente o dia inteiro lá, lendo, ou na internet, ou vendo algum filme. Ou conversando, baixinho, óbvio, mas, sabe, sem aquela figura medíocre da bibliotecária velha espantando as pessoas do lugar.

(Aliás, eu sei que as bibliotecárias no Brasil não são assim. Tenho uma amiga muito queridíssima que trabalha na BN - Oi, Ana! Visitem o blog dela, é legal! - que definitivamente não é assim e que, todo mundo sabe, não quer que a biblioteca seja um reduto elitista. Mas parece que tem gente que acha que faz parte dessa elite e que isso só tem graça se for exclusivo.

Acho que a única vez que eu fui numa biblioteca em São Paulo (que não fosse a da FFLCH, óbvio) foi quando fui numa Fantasticon.

Eu sei, não é que São Paulo não tenha bibliotecas. Ou que elas sejam super mal utilizadas. É claro que eu acho que ainda tem muita coisa errada se uma pessoa que, como eu, ama ler, não foi mais do que duas vezes nas bibliotecas públicas. Mas quando você vem pra cá, você vê o que elas realmente poderiam ser.

Exemplifico, no último ano, as bibliotecas da USP finalmente passaram por uma reforma e foram integradas num sistema único, tornando possível agora, inclusive, renovar um livro pela internet e utilizar a sua carteirinha para tirar qualquer livro em qualquer biblioteca. Aqui, todas as bibliotecas da cidade inteira, todas as 67 bibliotecas, são integradas e tem uma conta única pra você brincar na internet.

E o catálogo, meu deus, o catálogo.

Eu vim pra cá porque a minha pesquisa no Brasil carecia de fontes. Aqui, na primeira passada que dei na biblioteca, achei, , 4050 documentos. Restringindo ao máximo, achei 550 documentos. Tenho um ano bem longo pela frente.

(curiosamente, o livro que eu mais queria ler e que era praticamente impossível de achar no Brasil também é praticamente impossível de achar aqui em Paris. É o "Paris no Século XX", obra de Julio Verne. Achei que seria tranquilo, mas aqui só tem quatro exemplares. Fiquei meio surpresa.)

E eles tem uma excelente coleção de livros em outras línguas, o que torna sua visita interessante mesmo se você não domina o francês.

Depois desse pequeno ensaio (um tanto quanto desconexo e mal escrito, por causa da emoção que estou sentindo), talvez esteja interessado em saber onde pode encontrar bibliotecas em Paris.

Entra nesse site que ele vai te dar a biblioteca mais próxima do seu hotel. De lá, você faz uma carteirinha e começa a fuçar no que te interessa.

Mais informações à medida que eu for obtendo. Fique por aí. ;)

Um comentário:

Cristina Van Opstal disse...

Adorei, Raíssa... Quem ama ler sente sua emoção...
Parabéns pelos textos... Aproveite cada instante!
Beijos.