quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Paris is a moveable feast.




Esses dias, vi um post no Conexão Paris sobre a Paris de cada um de nós. E o que foi dito no post é uma verdade das mais claras e gritantes pra quem chega aqui - ou pelo menos, pra mim foi. Explico:

Você acessa sua informação prévia, misturada com seus gostos e preferências próprias, toda vez que escuta a palavra Paris. Você sabe que é uma cidade, a capital da França. Sabe que tem a Torre Eiffel, o Louvre e todas essas atrações. O que mais você inclui no seu pequeno verbete wikipediano sobre Paris é totalmente da sua conta, e só você pode responder.

Então, quando você chega aqui, Paris revela um lado para cada uma das facetas que você sempre sonhou. E, como esse é um blog meio pessoal, meio de dicas, meio de tudo um pouco - ou seja, bem parecido com Paris, em sua essência - acho que não tem nada demais confessar que a minha Paris lembra - e muito - àquela do protagonista do filme Meia Noite em Paris, o último do diretor Woody Allen.

Pra quem não conhece a trama, é sobre um escritor de roteiros de Hollywood que, numa viagem com a futura esposa, vem à Paris. Aqui, ele acaba ficando meio bebinho e, perdido completamente em algum lugar que parece o Quartier Latin, ele senta numa escadaria... quando surge um carro de 1920 e o leva para o passado, onde ele se torna amiguinho do Hemingway, dos Fitzgerald e do Cole Porter.

Não que eu seja amiguinha do Hemingway, dos Fitzgerald e do Cole Porter, veja bem, nem que eu tenha descoberto um jeito mágico de voltar para Paris dos anos 20, sonho de consumo do escritor interpretado pelo Owen Wilson e também, em parte, sonho de consumo meu,

A bem verdade é que a minha Paris é a Paris dos cafés, dos artistas fracassados sentados em bistrôs enquanto tomam uma dose de bebida barata (hah, como se isso existisse hoje em dia! Bebida barata, eu digo, porque artistas fracassados tem e é de monte).

Mas não é só essa Paris meio glamourosa, meio geração perdida que eu gosto. Não, eu confesso que, como a personagem da Marion Cotillard, eu tenho um fraco pela Belle Époque. O que não teria sido ver a Torre em suas primeiras luzes na Exposition Universelle de 1889!

Daí quando eu ando pelas ruas da cidade, eu não consigo deixar de imaginar que estou andando pelas mesmas ruas, pelos mesmos caminhos, que eu respiro essa história da qual eu tanto li! E como os franceses tiram leite de pedra... o buraco de bala na parede vem acompanhado de uma placa em homenagem à quem morreu ali, nosso compatriota Santos Dummont tem lá, na Champs Elysées uma plaquinha em sua homenagem.

Essa noite, a última minha com meus pais aqui, que teve um gostinho de fim de férias e começo de vida, eu sentei no restaurante que eu gosto na Rue Saint-Andre des Arts, a brasserie chamada L'Atlas. Fiquei do lado de fora, e, enquanto jantava, os jazzistas na rua tocavam algo que parecia saído de um passado muito distante.

Esse sincretismo de história com presente é o que de fato me encanta. Pois se Dalí tivesse sentado ao meu lado, ou se Mucha tivesse resolvido papear comigo enquanto desenhava aquela cena, eu não sei se teria estranhado.

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