sábado, 29 de outubro de 2011

Tintin e a cacofonia internacional.

Então, como meu plano maligno de assistir à late showing do mais do que fantástico Rocky Horror Picture Show falhou miseravelmente (devia ter imaginado que ia estar lotado no fim de semana do dias das bruxas, né?), eu me resignei à ver Tintin. Resignar sendo uma palavra má: eu amo Tintin.

Sim, a mais nova obra de Spielberg e Peter Jackson, Tintin e o Segredo do Licorne (aliás, por que não traduziram pra Unicórnio no Brasil, hein?). A primeira coisa que me veio à cabeça comentar foi a impressionante mélange internacional feita nesse filme. Em primeiro lugar, a obra original.

Tintin é, na verdade, um quadrinho escrito pelo belga Hergé. A origem do personagem é a mesma de seu autor. A língua na qual ele foi escrito e, portanto, a língua à qual ele fala é francês. Os franceses tem uma paixão pelo personagem como se ele fosse nascido em Paris, sem brincadeira. O lançamento desse filme foi antecipado até não poder mais - até o Spielberg veio ver a avant-prèmiere aqui.

O filme, no entanto, foi feito por americanos. Os americanos, como não podiam deixar de ser, não conseguem fazer nada com algo belga/que-fale-francês-logo-francês-e-odiável, então, adaptaram tudo... pra Inglaterra, já que não dava pra desterrar o Tintin e levar pros EUA sem causar indignação e protestos. Eles até que foram meio sutis, mas colocaram o filme como se o Tintin morasse em Londres. Dá pra sentir.

A adaptação dos nomes é outro problema sério, pra mim, que sou brasileira. Eu devo confessar (novamente) que eu amava Tintin quando eu era pequena. Acho que ele foi um dos personagens que me influenciou a querer ser jornalista quando crescesse (até que eu descobri que o trabalho dele era bem mais legal do que o de um jornalista de verdade. =). Então, quando o personagem surgiu em tela... eu confesso que esperava ouvir a voz do Oberdan Junior, dublador brasileiro do Tintin, além do Isaac Bardavid, o fantástico Haddock.

Sei que os nomes em inglês foram adaptados com a ajuda do próprio Hergé... mas não consigo me acostumar! Snowy não é Milou! O fox-terrier do Tintin sempre foi meu personagem favorito, junto com o Cap. Haddock.

O visual e a adaptação ficaram lindos, sem dúvida. Ver o filme numa sala de cinema no caso é indispensável. Se possível, acho que em 3D deve ficar ainda mais legal. Vale o ingresso, mesmo se você não assistia ao desenho ou não leu os livros.

[e eu aqui cobiçando as figurinhas que estão vendendo nas bancas de jornais. Ver o filme me fez voltar no tempo, viu.]

[em tempo, Tintin é um dos quadrinhos mais controversos que eu já li. É racista, xenófobo, sexista (reparem que, no filme, só tem uma mulher - e que era aquela cantora CHATÍSSIMA do desenho -, cujo o único propósito é gritar. Desenvolvimento zero.). Mas eu não consigo não gostar. É tão cheio de aventuras!]



[em tempo [2]; QUAL FOI A DO JOHN WILLIAMS DE NÃO COLOCAR ESSA MÚSICA ICÔNICA NO FILME?]

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